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Por que a conformidade técnica será prioridade das instituições financeiras em 2026

Mudanças regulatórias do Banco Central e avanço do rastreamento multicamadas devem impactar diretamente a operação de bancos, fintechs e cooperativas no próximo ano.

Atualizado em 16/01/2026 às 09:01, por Redação Credinews e Assessoria.

Homem jovem, de barba e cabelo curto, vestindo camisa branca, sorri para a câmera em ambiente corporativo. Ao fundo, aparecem estações de trabalho e pessoas em atividade, sugerindo um escritório moderno e colaborativo, com iluminação clara e clima profissional.

Victor Tanure. Divulgação

O avanço das exigências regulatórias no sistema financeiro brasileiro vem alterando a forma como instituições estruturam seus processos de segurança, tecnologia e governança. Após um ano marcado por ajustes normativos e pelo aumento da sofisticação das fraudes, a expectativa para 2026 é de que a conformidade técnica deixe de ser apenas uma obrigação operacional e passe a ocupar papel estratégico na competitividade do setor.

Segundo a Data Rudder, empresa especializada em inteligência antifraude, a tendência é que bancos, fintechs e cooperativas passem a tratar a adequação técnica como um diferencial de mercado. “Monitoramento transacional e mecanismos antifraude em tempo real já não são mais diferenciais. São pré-requisitos para permanecer operando com segurança”, afirma Victor Tanure, diretor de novos negócios da empresa.

Endurecimento regulatório e novas normas do Banco Central

As mudanças recentes foram impulsionadas por uma série de fraudes de grande escala registradas em 2025, o que levou o Banco Central a publicar mais de 20 normas entre agosto e novembro. Uma das medidas mais emblemáticas foi o limite de R$ 15 mil para transações via PIX e TED em instituições que operam com Provedor de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI) credenciado, obrigando muitas empresas a buscar integração direta à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) para manter a competitividade.

“Foi uma resposta imediata do BC para conter a dissipação de valores enquanto o mercado se adequava às novas exigências”, explica Tanure.

Impacto direto sobre fintechs e empresas de pagamento

Entre as instituições mais afetadas estão fintechs e empresas de pagamento com autorização de operação no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) ou no Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), que passaram a ser cobradas com o mesmo rigor regulatório aplicado aos bancos tradicionais.

“As fintechs agora precisam seguir os mesmos padrões de compliance em prevenção à lavagem de dinheiro, como previsto na Instrução Normativa 2.278/2025”, destaca Tanure. A nova realidade exige uma mudança de postura, com investimentos diretos em infraestrutura antifraude, governança e monitoramento de riscos.

Rastreamento multicamadas e o avanço do MED 2.0

Um exemplo prático dessa transformação é o lançamento do MED 2.0, atualização do Mecanismo Especial de Devolução. A nova versão permite o rastreamento multicamadas das transações e a realização de bloqueios automáticos via Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), o que, na prática, amplia as taxas de recuperação de valores.

“O MED 2.0 impõe desafios significativos para quem ainda não possui mecanismos antifraude em tempo real. Além do risco regulatório, há risco financeiro e de reputação”, reforça o executivo.

Conformidade técnica como diferencial competitivo

Nesse cenário, instituições que internalizaram sua infraestrutura tecnológica e estruturaram times multidisciplinares para atender às exigências regulatórias saem na frente.

“Quem entendeu que adequação normativa era prioridade já colhe os frutos. A conformidade técnica passou a ser usada como argumento de venda no mercado financeiro”, afirma Tanure.

Na prática, estar em dia com as regras deixou de ser apenas um custo operacional e passou a representar geração de valor, credibilidade e vantagem competitiva para bancos, fintechs e cooperativas que buscam crescer de forma sustentável em 2026.