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Capitais ou interior: onde compensa mais trabalhar como motorista de aplicativo?

Alta nos custos, diferenças regionais e avanço dos carros elétricos influenciam a rentabilidade de motoristas de aplicativo nas capitais e em cidades do interior.

Atualizado em 30/01/2026 às 11:01, por Redação Credinews.

Visão de dentro de um carro moderno, mostrando o motorista de costas segurando um smartphone com um aplicativo de mapa aberto. O painel do veículo exibe uma central multimídia e a estrada à frente está iluminada pela luz do dia.

Enquanto passageiros reclamam de preços mais elevados, motoristas relatam um achatamento da receita. Foto ilustrativa gerada por IA.

Trabalhar como motorista de aplicativo compensa mais nas capitais, onde há maior volume de corridas, ou nas cidades do interior, onde o custo operacional tende a ser menor? A resposta envolve uma combinação de fatores, como tarifas, carga horária, custo de vida e despesas com o veículo.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o custo das corridas por aplicativo subiu 56,08% em 2025. Enquanto passageiros reclamam de preços mais elevados, motoristas relatam um achatamento da receita, pressionada pelo aumento dos custos operacionais.

De acordo com levantamento do GigU, a renda líquida dos motoristas varia conforme a cidade e a carga horária semanal. Em São Paulo, um profissional que trabalha cerca de 60 horas por semana registra lucro médio de R$ 4.252,24, já descontados custos como combustível, manutenção e IPVA. No Rio de Janeiro, o rendimento médio é de R$ 3.304,93 para uma jornada de 54 horas semanais, enquanto em Belo Horizonte o lucro gira em torno de R$ 3.554,58, na mesma carga horária.

“É uma jornada de trabalho exigente, mas a autonomia e a rentabilidade, que superam algumas ocupações tradicionais, acabam sendo grandes atrativos”, afirma Luiz Gustavo Neves, cofundador e CEO da plataforma GigU.

Realidade no interior

Em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, município com cerca de 100 mil habitantes, motoristas ouvidos pela reportagem afirmam que os custos estão relativamente estáveis. Um dos fatores que contribuíram para esse equilíbrio foi a redução de 45% no valor do IPVA em 2025.

No caso do combustível, apesar da redução anunciada pela Petrobras, os motoristas paranaenses dizem não sentir alívio no bolso, devido ao aumento do ICMS sobre os combustíveis no Estado. “De qualquer forma, pneus, manutenção, óleo e as tarifas das plataformas têm se mantido estáveis nos últimos anos”, relata Andrei Lamera, motorista de aplicativo há quatro anos. Ele explica que a tarifa mínima um pouco mais elevada no interior ajuda a equilibrar a renda do profissional, sem impactar negativamente os usuários.

Regulamentação em debate

No âmbito nacional, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025, em discussão no Congresso Nacional, propõe limitar a comissão das plataformas a 30% e estabelecer regras mais claras para garantir maior previsibilidade de renda aos motoristas de aplicativo.

Carros elétricos reduzem custos

Um dos principais diferenciais de custo para os motoristas atualmente é a adoção de carros elétricos, que vêm se mostrando mais vantajosos para quem atua na mobilidade urbana por aplicativo.

Um motorista de Francisco Beltrão, que prefere não se identificar, contou que recentemente trocou um veículo a combustão por um elétrico. Segundo ele, a receita mensal varia entre R$ 9 mil e R$ 10 mil, trabalhando das 6h às 22h, de segunda a segunda, com exceção do sábado à tarde. Quando utilizava um carro a combustão, os gastos mensais ficavam entre R$ 4 mil e R$ 4,5 mil. Com o carro elétrico, a despesa - agora com energia elétrica - caiu para algo entre R$ 200 e R$ 300 por mês.

Em dezembro, período de maior movimento na cidade, o motorista afirma ter faturado cerca de R$ 17 mil líquidos, já descontado o custo com energia elétrica, atuando simultaneamente em dois aplicativos.

Como o veículo é novo e ainda não demanda manutenção, o rendimento aumentou de forma significativa. No entanto, a receita varia conforme o tempo dedicado ao trabalho. Na média, em Francisco Beltrão, o faturamento líquido mensal dos motoristas fica entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, já que a maioria ainda utiliza veículos a combustão.