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Motoristas de aplicativos podem economizar até R$ 3,7 mil por ano com nova regra do IR

Mudança na legislação beneficia profissionais com renda intermediária e estimula o planejamento financeiro; impacto será sentido na declaração de 2027.

Atualizado em 22/01/2026 às 11:01, por Redação Credinews e Assessoria.

Imagem mostra o interior de um veículo em circulação, com um motorista de aplicativo visto de costas, segurando o volante e observando a tela de um smartphone fixado em suporte no painel. O celular exibe um mapa de navegação, indicando trajeto e rotas, enquanto a via urbana aparece ao fundo, levemente desfocada. A cena representa a rotina de trabalho de motoristas por aplicativo, o uso da tecnologia para orientação de rotas e a mobilidade urbana no cotidiano das cidades.

Em São Paulo, um motorista que trabalha cerca de 60 horas por semana registra lucro médio de R$ 4.252,24. Foto gerada pelo Google/IA

A crescente formalização dos trabalhadores de aplicativos vem provocando mudanças diretas na forma de recolhimento de impostos no Brasil. A legislação do Imposto de Renda (IR) passou a prever abatimentos escalonados para profissionais com rendimentos intermediários, modelo especialmente relevante para motoristas de plataformas como a Uber, cuja renda mensal é variável e sujeita a oscilações sazonais.

Com a nova regra, parte desses trabalhadores poderá reduzir de forma significativa o valor do tributo ao longo do ano, favorecendo o planejamento financeiro e ampliando a adesão às normas fiscais.

Como funciona o desconto no Imposto de Renda

O desconto é aplicado de maneira progressiva: quanto mais próximo do teto de R$ 7.350 mensais, menor o benefício concedido.

De acordo com estudo do escritório de contabilidade Confirp, motoristas com renda média de R$ 5.200 por mês podem economizar cerca de R$ 286 mensais, o que representa uma redução superior a R$ 3,7 mil ao ano. Já profissionais com rendimentos próximos ao teto, como R$ 7.200 mensais, têm abatimento quase simbólico, estimado em R$ 19,98 por mês.

O cálculo segue a fórmula:
R$ 978,62 – (0,133145 × salário), criando uma escala que prioriza trabalhadores com ganhos intermediários.

Renda dos motoristas varia conforme cidade e jornada

Levantamento da fintech GigU aponta que a renda líquida dos motoristas varia conforme a cidade e a carga horária semanal.

Em São Paulo, um motorista que trabalha cerca de 60 horas por semana registra lucro médio de R$ 4.252,24, já descontados custos como combustível e IPVA. No Rio de Janeiro, o lucro médio é de R$ 3.304,93 para uma jornada de 54 horas semanais. Em Belo Horizonte, o rendimento gira em torno de R$ 3.554,58 para a mesma carga horária.

“É uma jornada de trabalho exigente, mas a autonomia e a rentabilidade — que superam algumas ocupações tradicionais — acabam sendo grandes atrativos”, afirma Luiz Gustavo Neves, cofundador e CEO da plataforma.

Efeitos serão percebidos a partir da declaração de 2027

Embora a regra já esteja em vigor, seus efeitos práticos serão percebidos apenas na declaração anual do Imposto de Renda, quando os rendimentos de 2026 forem informados em 2027.

A expectativa é que, além de reduzir a carga tributária de parte dos motoristas, a medida contribua para ampliar a conscientização sobre planejamento financeiro e responsabilidade fiscal entre trabalhadores de aplicativos — um grupo que historicamente enfrenta dificuldades para se adequar às regras tradicionais do IR.

Adaptação da legislação à economia digital

O cenário evidencia a necessidade de adaptação da legislação tributária à expansão da economia digital e ao crescimento do trabalho flexível. A nova regra sinaliza um esforço para tornar o sistema mais compatível com a realidade dos trabalhadores por aplicativo, ao mesmo tempo em que amplia a base de formalização e arrecadação.