IPCA-15 de janeiro avança 0,2% e surpreende mercado
Alta é liderada por Saúde e Cuidados Pessoais e alimentos; núcleo da inflação mostra tendência firme.
Sara Paixão, InvestSmart XP
O IPCA-15 de janeiro registrou alta de 0,20%, abaixo da variação do mês anterior, mas suficiente para manter a inflação acumulada em 12 meses em 4,5%, no teto da banda superior do Regime de Metas para Inflação (RMI).
Segundo a analista de macroeconomia Sara Paixão, “o resultado é relativamente contido, mas não reflete um quadro benigno do indicador, que apresentou movimentos difusos entre seus principais grupos”.
O grupo Alimentação e Bebidas subiu 0,31%, mantendo a trajetória de aceleração iniciada nos últimos meses de 2025. O aumento foi impulsionado tanto por tubérculos, raízes e legumes (+10,17%), de alta volatilidade, quanto por carnes (+1,32%), cuja oferta possui caráter cíclico. “Para janeiro, o grupo tende a apresentar algum arrefecimento, mas um cenário de deflação, como visto em boa parte do segundo semestre do ano passado, está praticamente descartado”, explicou Sara.
Entre as quedas, Habitação recuou 0,26%, principalmente pela substituição da bandeira amarela pela verde na energia elétrica residencial, e Transportes caiu 0,13%, refletindo a redução de passagens aéreas (-8,92%) e de ônibus urbano (-2,90%) em diversas capitais.
O economista Matheus Pizzani, do PicPay, ressaltou que “o bom desempenho do IPCA-15 foi fortemente influenciado por choques positivos em preços administrados e itens de alta volatilidade, como passagens aéreas, e não deve ser levado como sinal direto para política monetária”.
O núcleo da inflação, que mede a evolução dos preços sem efeitos sazonais e voláteis, avançou 0,42%, acima da expectativa de 0,39%, enquanto a difusão subiu de 54% para 63%, mostrando que o aumento dos preços foi mais disseminado entre grupos de consumo. A inflação de serviços subjacentes variou marginalmente de 0,52% para 0,53%, refletindo resiliência dos preços de serviços intensivos em trabalho. Entre os itens de destaque, o aluguel residencial subiu 0,75%, contribuindo com +0,03 p.p. para o índice.
Já os bens, que vinham registrando quedas nos últimos meses, voltaram a subir em janeiro, influenciados pela valorização do real frente ao dólar.
Para a reunião do COPOM, que ocorre entre hoje e quarta-feira, o resultado do IPCA-15 não deve alterar a decisão. Sara Paixão afirmou: “A expectativa é de manutenção da Selic em 15%, com possibilidade de início de cortes apenas em março”. Matheus Pizzani acrescenta que a Selic terminal deve atingir 12% ao final de 2026.
O IPCA-15 de fevereiro deve refletir a redução do preço da gasolina anunciada pela Petrobras, trazendo um viés baixista para a inflação do mês.









