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Banco Central identifica spreads mais justos e estáveis no sistema cooperativo de crédito

Modelo de “sócio-cliente” impulsiona expansão do setor e mantém custos mais baixos no crédito.

Atualizado em 01/12/2025 às 21:12, por Redação Credinews.

A imagem mostra uma pessoa utilizando uma calculadora de mesa. A mão está pressionando uma das teclas, enquanto o visor exibe a sequência numérica “123456”. O cenário sugere um ambiente de trabalho ou organização financeira, com documentos desfocados ao fundo sobre uma superfície de madeira. É uma cena que remete a cálculos, controle de gastos ou atividades de planejamento financeiro.

O cooperativismo de crédito segue em expansão no Brasil devido às vantagens econômicas e ao modelo de funcionamento baseado na participação direta dos associados. Trata-se de um segmento sólido do Sistema Financeiro Nacional (SFN), estruturado sobre um princípio singular: o cliente é também dono da instituição. Em vez de focarem na geração de lucro para acionistas externos, as cooperativas direcionam seus resultados para o desenvolvimento econômico e social da própria comunidade.
Essa lógica de “sócio-cliente” está na base das condições diferenciadas oferecidas aos cooperados, como taxas reduzidas em contratos de empréstimo e, em diversas situações, tarifas menores ou inexistentes na manutenção de conta. Além disso, muitas cooperativas investem em cursos, workshops de educação financeira e ações de desenvolvimento profissional.
Em 2024, o setor superou 20 milhões de cooperados no país. O Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) movimentou R$ 455 bilhões em operações de crédito, mantendo ritmo de expansão contínuo. As cooperativas alcançam 58% do território brasileiro e são a única instituição financeira com atendimento presencial em 469 municípios, o que reforça seu papel na inclusão financeira.
A segurança dos depósitos é assegurada pelo Fundo Garantidor das Cooperativas de Crédito (FGCoop), com funcionamento similar ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dos bancos comerciais. O limite de proteção é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição, incluindo depósitos à vista, aplicações a prazo e instrumentos como o Recibo de Depósito Cooperativo (RDC).

Crédito exclusivo para associados e regras de capital social
A legislação do SFN estabelece que cooperativas de crédito só podem oferecer empréstimos e captar depósitos de seus próprios associados. Para acessar qualquer serviço, o interessado precisa aderir ao quadro social e integralizar ao menos uma cota-parte, que compõe o capital social da instituição. Esse capital gera remuneração anual limitada à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) e garante direitos de voto. A lei também proíbe o uso de crédito para financiar a integralização de cotas-parte ou para cobrir perdas de exercícios anteriores.
Mesmo com a condição de sócio, o crédito não é concedido automaticamente. As cooperativas realizam análise de risco rigorosa, alinhada às normas do Banco Central. A aprovação leva em conta histórico financeiro e capacidade de pagamento.
O SNCC oferece diversas modalidades de crédito, como pessoal, rotativo, antecipação de recebíveis, financiamento para saúde e educação, entre outras.
Perfil das carteiras e riscos monitorados pelo Banco Central
A distribuição do crédito no SNCC mostra concentração em Pessoas Jurídicas (PJs) e Pessoas Físicas (PFs). Entre as PJs, 91% são Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), reforçando a importância das cooperativas no desenvolvimento local. Na carteira PF, 59% dos tomadores possuem renda superior a dez salários mínimos (excluindo o agronegócio).

Estudo do Banco Central aponta vantagem duradoura no spread das cooperativas
O Estudo Especial nº 91/2020 do Banco Central analisou a evolução dos spreads de empréstimo em bancos privados e cooperativas. O levantamento mostra que a vantagem de custo nas cooperativas é mais duradoura e menos predatória.
No primeiro empréstimo, a redução do spread é maior nas cooperativas do que nos bancos privados. Enquanto o break-even — ponto em que o custo retorna ao nível inicial — ocorre no terceiro empréstimo nos bancos privados, nas cooperativas isso acontece apenas no sexto empréstimo. Após esse ponto, o aumento do spread é significativo nos bancos, enquanto nas cooperativas o acréscimo é menor e mais estável. Segundo o estudo, isso garante previsibilidade e menor custo ao longo do relacionamento.

Como solicitar um empréstimo em uma cooperativa de crédito
O processo segue etapas padronizadas no SNCC. A entrada no quadro social exige a apresentação de documentos pessoais, assinatura do termo de adesão e integralização da cota-parte. O solicitante deve atender aos critérios de elegibilidade definidos pela cooperativa.
Escolha do produto e simulação
O cooperado deve consultar o gerente para definir a modalidade mais adequada. É recomendada a realização de simulações completas, com atenção ao Custo Efetivo Total (CET), indicador que permite comparar ofertas entre instituições.
Documentação e formalização
A documentação é analisada conforme a política de crédito e normas do Banco Central. Em operações com garantia, pode ser necessário comprovar a existência do ativo oferecido, como aplicação financeira ou imóvel, geralmente equivalente a 110% do valor da dívida. A contratação é formalizada por meio da Cédula de Crédito Bancário (CCB).
Análise e liberação
A cooperativa realiza a análise de risco, aprova a operação e libera os recursos na conta do cooperado. Para produtos pré-aprovados, a liberação pode ser imediata via canais digitais.